sexta-feira, 25 de novembro de 2011

O que esperar de um povo que despreza a própria língua, seu mais importante elemento de identidade?
Não somos uma nação.

segunda-feira, 26 de setembro de 2011

"Amanhã, e amanhã, e ainda outro amanhã arrastam-se nessa passada trivial do dia para a noite, da noite para o dia, até a última sílaba do registro dos tempos. E todos os nossos ontens não fizeram mais que iluminar para os tolos o caminho que leva ao pó da morte. Apaga-te, apaga-te, chama breve! A vida é apenas uma sombra ambulante, um pobre palhaço que por uma hora se espavona e se agita no palco, sem que depois seja ouvido; é uma história contada por idiotas, cheia de fúria e muito barulho, que nada significa."

William Shakespeare, Macbeth, Ato 5, Cena 5, linhas 22-31

terça-feira, 26 de julho de 2011

"Nós vos pedimos com insistência:
Nunca digam - Isso é natural
Diante dos acontecimentos de cada dia,
Numa época em que corre o sangue
Em que o arbitrário tem força de lei,
Em que a humanidade se desumaniza
Não digam nunca: Isso é natural
A fim de que nada passe por imutável."

Bertold Brecht

segunda-feira, 18 de julho de 2011

"Os dragões não permanecem. Os dragões são apenas a anunciação de si próprios. Eles se ensaiam eternamente, jamais estréiam. As cortinas não chegam a se abrir para que entrem em cena. Eles se esboçam e se esfumam no ar, não se definem. O aplauso seria insuportável para eles: a confirmação de que sua inadequação é compreendida e aceita e admirada, e portanto – pelo avesso, igual ao direito – incompreendida, rejeitada, desprezada. Os dragões não querem ser aceitos. Os dragões não conhecem o paraíso, onde tudo acontece perfeito e nada dói nem cintila ou ofega, numa eterna monotonia de pacífica falsidade. Seu paraíso é o conflito, nunca a harmonia."

Caio Fernando Abreu

quarta-feira, 13 de julho de 2011

BUNGE

De Mario Bunge, filósofo argentino, meu mais novo objeto de obsessão. Gostei muito dos seus artigos criticando o modo como a ciência, em busca de teorias exatas, caminha cada dia mais para a imprecisão e as falhas da teoria econômica ortodoxa, largamente difundida nas universidades mas sem nenhuma base na realidade (o que talvez explique o caos que domina o mundo). Outro artigo muito interessante dele é “A Utopia da Democracia Integral” onde ele expõe como o capitalismo se transformaria aos poucos em um socialismo corporativista com os trabalhadores tomando o comando de empresas falidas quando o mercado entrar em colapso.

"TEOREMA DE HEISENBERG": Fórmula da mecânica quântica segundo a qual a variância (dispersão em torno da média) da posição de um electrão, ou de qualquer outra partícula quântica, é inversamente proporcional à variância da velocidade. Corolário: se a dispersão na posição diminui, a dispersão na velocidade aumenta e ao contrário. A fórmula é rigorosa e deriva de alguns dos axiomas da teoria, sem nenhuma referência a processos de medidas. Deve portanto ser válida universalmente sem nenhuma referência a condições de laboratório. Contudo, tem sido muitas vezes mal interpretada falando de perturbações causadas pelo aparelho de medida ou mesmo pelo observador. Também tem sido mal interpretada falando da incerteza do experimentador a respeito da posição exacta e da velocidade exacta da coisa medida – daí o nome popular de "princípio da incerteza". Esta interpretação é incorrecta por duas razões. Em primeiro lugar, a física não trata de estados mentais como a incerteza. Segundo, a referida interpretação pressupõe que os electrões ou os seus análogos têm sempre uma posição e uma velocidade exactas, como se fossem massas pontuais clássicas, com a diferença que não as podemos conhecer com precisão. Mas a teoria não faz essa suposição: não postula que os electrões e análogos são pontuais e que as suas propriedades têm valores precisos. Em mecânica quântica fala-se de partículas (ou ondas) de uma maneira analógica que é, por isso, enganadora. Uma vez que essas confusões estejam clarificadas, o teorema de Heisenberg perde qualquer interesse para a epistemologia, excepto como um exemplo das distorções de factos científicos que uma filosofia falsa pode originar. Retém , porém, interesse para o ontologia, lembrando-nos que os tijolos constituintes do universo não têm forma definida e são por isso indescritíveis de uma maneira geométrica".

A SERVIDÃO MODERNA

"A servidão moderna é uma escravidão voluntária, consentida pela multidão de escravos que se arrastam pela face da terra. Eles mesmos compram as mercadorias que os escravizam cada vez mais. Eles mesmos procuram um trabalho cada vez mais alienante que lhes é dado, se demonstram estar suficientemente domados. Eles mesmos escolhem os mestres a quem deverão servir."

Do documentário Da Servidão Moderna de Jean François Brient e Victor León Fuentes que pode ser assistido aqui: http://www.delaservitudemoderne.org/

terça-feira, 28 de junho de 2011

WEB GALLERY OF ART

Um achado este site. Um museu virtual com acervo dos meus períodos artísticos prediletos (tenho uma forte atração pela influência clássica, nisso que deu ser católica metade da vida).

Web Gallery of Art, Image Collection, Virtual Museum, Searchable Database of European Fine Arts

quinta-feira, 16 de junho de 2011

ELISA

Trechos de Elisa Lispector, escritora menos famosa que a irmã, Clarice, mas igualmente espantosa. Em alguns momentos de sua obra Elisa lembra Clarice, mas tem estilo e temática bem próprios. Pena que quase ninguém a conheça.
(Eu dava um pé para ser dessa família. Ia dar a mão, mas então não conseguiria escrever.)

“Um dia somos concebidos casual ou propositadamente e dão-nos à luz, e moldam-nos os sentimentos e a inteligência, quando não nos abandonam aos caprichos da sorte, até o dia que nos fazemos conscientes. Então uma vontade em nós se revela, mas quase inevitavelmente entramos em choque com as circunstâncias que nos rodeiam (...) Enquanto a morte não vem, a vida passa vazia, efêmera e inglória."

“ao entardecer, espalha-se por sobre todas as coisas uma tal desolação que é difícil de suportar. Recolho-me na noite como alguém que se envolve em amplo manto. Dormito mais é durante o dia. A noite minha é para decantar esta solidão povoada de angústia. No silêncio da noite cabem todos os espantos e indagações. A noite abre uma tão grande vastidão no tempo que é como se nunca mais fosse acabar.”

“a luta para a gente se afirmar, a luta para a gente se entender! Depois vem a morte, que interpõe uma parede entre nós e os outros, e entre nós e nós mesmos, uma vez que o corpo morto que está no ataúde já não é mais a nossa individualidade. Não mais as nossas procuras, as carências, os sonhos, os sentimentos. Não Mais. Nada mais”

“A vida é cruel, e por vezes tão absurda, que para suportá-la penso que tudo deveria ser permitido. Tudo.
- Por que então não ouso, por que não a agarro com ambas as mãos? Já me perguntei muitas vezes.
- Talvez por tibieza. Por falta de força.”

“Estou procurando aproximar-me de ti. Faço-o, porém, devagar, com medo de ferir a palavra, de turbar o silêncio, varrer uma nuvem, apagar uma estrela. Sempre foste tão susceptível e fugidio. Sempre tão fora do meu alcance! (...) É um mordimento cuja raiz procuro inquieta situar, e me perco dentro da assustadora desorganização de mim. Estou quebrada em mil pedaços, e não consigo juntar os fragmentos.”

“Mas, como te dizia, só consigo captar episódio em fragmentos. E nessas poucas reminiscências resume-se nossa vida por inteiro, que mais não há o que avulte, ou valha a pena recordar, tão rasa é a existência, penso enquanto na praia deixo os finos grãos de areia escorrerem por entre os dedos numa metáfora de vida desperdiçada, de sentimentos desencontrados. Mas, não. Na realidade, há muito mais a reavivar. Tentar compreender e aceitar.”

“Também preciso ter papel e lápis à mão, porque se não aprisiono no âmbito das palavras o que está acontecendo, a luta terá sido em vão. Também aprendi isto: que viver de olhos abertos para a realidade produz uma angústia tão grande que é preciso apequenar a existência do dia-a-dia para poder poder suportá-la.”

“estou vivendo sob o signo da implicação da morte. Por vezes já nem sei por que nem para quem escrevo. A memória me trai, a palavra me escapa. Risco uma frase, substituo por outra, como se devesse aplicar-me numa tarefa destinada a construir algo para perdurar. Mas a idéia da morte volta a sobrepor-se, e nas entrelinhas do que escrevo insinua-se a certeza da inutilidade do meu esforço, a convicção de que momento a momento estou me aproximando da minha própria destinação mortal. (...) O homem nascido de mulher é curto de dias e farto de inquietações”

“aos trinta anos, eu ainda tinha esperança, em meio a grandes e avassaladoras depressões embora; aos cinqüenta, talvez já me encontre serenada, sem perceber o fora-do-meu-alcance. Aos quarenta, sinto-me completamente desorientada. Ainda me custa ceder, apesar de não ter mais por que lutar”

“e de súbito sinto que me quero livre. É um desejo sobre-humano de libertar-me de tudo, num plano sem barreiras em que eu possa começar tudo de novo, sem ontem, sem amanhã, para situar-me no já-isto-agora. Numa disponibilidade de quem se sabe gerada sem nenhum propósito definido, e vivendo ao acaso com a limpidez e a leveza de uma pequena chama que à menor lufada de vento se apaga. (...) Paro de escrever, e me vem uma imperiosa necessidade de viver na plenitude, á pura flor da pele.”

segunda-feira, 13 de junho de 2011

WINDLAND SMITH RICE INTERNATIONAL AWARDS


Imagem de uma águia pescadora em ação na Finlândia, vencedora do primeiro lugar do Windland Smith Rice International Awards da revista Nature's Best Photography, capturada pelo fotógrafo escocês Peter Cairns. A imagem concorreu com outras 147 fotografias que foram selecionadas entre mais de 20 mil inscritas de fotógrafos de 56 países.
O Windland Smith Rice International Awards premia as melhores imagens da vida selvagem ao redor do mundo.

segunda-feira, 6 de junho de 2011

Pode falar o que quiser mas isso me soa como: "vamos dar vantagem a eles porque são incapazes de conseguir por si mesmos". Não simpatizo com soluções paliativas. Quer dar as mesmas oportunidades? Então dá ensino fundamental e médio decente para todo mundo: brancos, negros, índios, etc. Cota é mais uma forma de diferenciação disfarçada de boas intenções: só reforça o preconceito.


Negros e índios terão reserva de 20% das vagas destinadas à ocupação de cargos efetivos nos concursos realizados pelo Governo do Estado do Rio de Janeiro. A determinação, que corrige desigualdades raciais no acesso a empregos públicos, será oficializada hoje, com a assinatura de Decreto do governador Sérgio Cabral, em ato com a presença da ministra da Secretaria de Políticas de Promoção da Igualdade Racial, Luiza Bairros.
Na opinião da ministra Luiza Bairros, “a política de reserva de vagas é uma ação afirmativa que cria condições para a superação da cultura histórica do preconceito contra a população negra”.
O evento contará também com a participação do vice governador e secretário de Obras, Luiz Fernando de Souza Pezão, e do secretário de Assistência Social e Direitos Humanos, Rodrigo Neves. O Decreto evoca o artigo 39 da Lei 12.288, que institui o Estatuto da Igualdade Racial, que “impõe ao poder público a promoção de ações para assegurar a igualdade de oportunidades no mercado de trabalho para a população negra, inclusive mediante a implementação de medidas, visando à promoção da igualdade nas contratações do setor público”.
O Decreto traz ainda o disposto na Lei Estadual 3.730, que autorizou o poder executivo a instituir o Conselho Estadual dos Direitos do Negro (Cedine), vinculado à Secretaria de Assistência Social e Direitos Humanos. Ao órgão, é descrita a finalidade de elaborar e implementar, em todas as esferas da administração governamental, políticas públicas sob a ótica das populações negras, destinadas a garantir a igualdade de oportunidades e de direitos entre todos, de forma a assegurar ao segmento o pleno exercício da cidadania.

Histórico

Outros Estados adotaram sistemas de cotas para negros e índios em concursos públicos. Em 2003, o Paraná reserva 10% e, este ano, o Mato Grosso do Sul destina 10% das ocupações para negros e 3% para índios. Entre os municípios brasileiros que incorporaram essa política, Piracicaba – SP, em 2002, reserva de 20% para negros, Porto Alegre, RS, em 2003, 12%, Vitória, ES, em 2004, 30%, Criciúma, SC, em 2004, 20%, Betim, MG, em 2005, 15%, e o município paranaense de Colombo, em 2007, assegura que 10% das vagas sejam ocupadas por afrodescendentes.

sexta-feira, 29 de abril de 2011

"… como se explica que, através da derrocada das ideias antigas, a grande sensualidade grega nimbe, como um raio de luz, as frontes mais elevadas? É porque a sensualidade é a condição misteriosa, mas necessária e criadora, do desenvolvimento intelectual. Aqueles que nunca sentiram até ao seu limite, para as amar ou para as maldizer, as exigências da carne, são por isso mesmo incapazes de compreender, em toda a sua extensão, as exigências do espírito."

Pierre Louys

MANUAL DE CIVILIDADE DESTINADO ÀS MENINAS PARA USO NAS ESCOLAS

O trecho transcrito abaixo está contido no Manual de Civilidade Destinado às Meninas para Uso nas Escolas escrito por Pierre Louys, vulto da literatura libertina francesa que eu descobri aos catorze anos e à qual tenho apreço até os dias de hoje. Pierre Louys faz parte de um grupo ao qual pertencem Restif de La Bretonne, Marquês de Sade, Regine Deforges, Rabelais, Pierre de Ronsard, Joachim du Bellay, Apollinaire e Battaile.
Assim como seus colegas, Louys exaltava o erotismo e zombava do moralismo e da hipocrisia da sociedade francesa de sua época. O Manual de Civilidade faz parte de sua obra “negra” e é uma sátira dos velhos manuais de etiqueta que circulavam entre as meninas da burguesia francesa e as orientava sobre como deviam comportar-se em diversas situações do convívio social. O livro é cheio de humor e de ironia, alguns talvez o achem meio pesado, mas para quem lê-lo despido de pudores, moralismos ou preconceitos (isso é muito difícil para algumas pessoas) é uma leitura leve, engraçada e de grande valor, não só uma obra erótica mas também uma crítica mordaz a uma sociedade que vive de aparências.
Segue do livro um trecho que julgo de profunda sabedoria:

"Deveis compenetrar-vos da seguinte verdade: Todas as pessoas perante vós presentes, seja qual for o sexo e a idade delas, têm o secreto desejo de por vós serem chupadas; a maior parte, porém, não se atreve a declará-lo.
Começai pois por respeitar a hipocrisia humana a que também se chama virtude, e não digais nunca a um cavalheiro diante de um grupo de pessoas: ‘Mostra-me a tua pica que eu mostro-te a minha racha’, porque por certo vos não mostraria ele a pica.
Se conseguirdes porém, ficar com ele a sós em sítio onde se sinta seguro de não ser surpreendido por ninguém, não só vos haverá de mostrar a pica, como não se oporá a que lha sugueis."

segunda-feira, 18 de abril de 2011

Tenho um ano a mais que no ano passado. Um ano a mais não, toda a minha vida de menos. Sou uma fonte que termina, que esgota, que míngua.

O ponto de partida é que eu sempre me atraso. Ponto. Não, não adianta tentar me inserir no esquema porque se eu mesma não consigo. Porque se eu mesma nem quero. Ah, sim, se surpreenderia se soubesse que eu tive todas as oportunidades de ser assim... reta, dentro daquilo que se chama retidão, mas não consigo participar disso. Consigo no máximo interagir, porque acho que é necessário, mas sem muita convicção ou paciência e sempre com a impressão de estar dentro de um sonho. A realidade não me parece real. Ou talvez eu não seja.

O negócio é que a gente sabe, a gente sempre sabe, sempre, mas vai abafando, cobrindo com véus tênues, deixando para amanhã, para amanhã, um amanhã que nunca chega. A gente às vezes pensa durante o banho enquanto esfrega o cabelo, na cozinha enquanto espera a água ferver ou naquela hora em que você deita na cama, o sono custa a chegar e você se permite enxergar na escuridão. Não há mistério, está tudo muito claro, o que não quer dizer muita coisa. Somos péssimos em diagnosticar a nós mesmos, essa é que é a verdade. E em verdade eu vos digo: nada sabe a flor de sua raiz. Nada.

O ponto de partida é que eu sempre me atraso. Ponto. E sim, eu vou fazer aquele ar lacônico e dar uma explicação bem vaga usando um monte de palavras que não querem dizer nada. Porque eu não quero dizer nada. Não quero me justificar. Não pretendo ser compreendida e prefiro mesmo que as pessoas me julguem indiferente ou louca, que me importa? Poderia passar horas discorrendo sobre como edifiquei essa coisa e todos os meus motivos mas não, obrigada! Isso cansa.

Os anjos azuis dizem amém sem perceber e eu acendo velas pra ninguém.

segunda-feira, 11 de abril de 2011

PASSAM-SE OS SÉCULOS E TUDO CONTINUA IGUAL...

Diálogo entre Colbert e Mazarin, durante o reinado de Luís XIV, extraído da peça de teatro O Diabo Vermelho, de Antoine Rault, sátira política escrita e encenada em 2008.

"Colbert: Para encontrar dinheiro, há um momento em que enganar (o contribuinte) já não é possível. Eu gostaria, Senhor Superintendente, que me explicasse como é possível continuar a gastar quando já se está endividado até ao pescoço...
Mazarin: Se se é um simples mortal, claro está, quando se está coberto de dívidas, vai-se parar à prisão. Mas o Estado... o Estado, esse, é diferente! Não se pode mandar o Estado para a prisão. Então, ele continua a endividar-se... Todos os Estados o fazem!
Colbert: Ah, sim? O Senhor acha isso mesmo? Contudo, precisamos de dinheiro. E como é que havemos de o obter se já criamos todos os impostos imagináveis?
Mazarin: Criam-se outros.
Colbert: Mas já não podemos lançar mais impostos sobre os pobres.
Mazarin: Sim, é impossível.
Colbert: E então os ricos?
Mazarin: Os ricos também não. Eles não gastariam mais. Um rico que gasta faz viver centenas de pobres.
Colbert: Então como havemos de fazer?
Mazarin: Colbert! Vós pensais como um queijo, como um penico de um doente! Há uma quantidade enorme de gente entre os ricos e os pobres: os que trabalham sonhando em vir a enriquecer e temendo ficarem pobres. É a esses que devemos lançar mais impostos, cada vez mais, sempre mais! Esses, quanto mais lhes tirarmos mais eles trabalharão para compensarem o que lhes tiramos. São um reservatório inesgotável."

"Aquele outro diz ainda mais: 'Quanto a mim, considero que uma coisa, mesmo quando não é torpe, passa a sê-lo quando é louvada pela multidão.'"

Michel de Montaigne citando Cícero em Ensaios

quarta-feira, 6 de abril de 2011

ÁFRICA

Em 09 de janeiro de 2003, foi sancionada a lei 10.639 que altera a Lei de Diretrizes e Bases e torna obrigatório no currículo oficial o ensino de “História e Cultura Afro-brasileira “ nas escolas. Isso foi logo no início do governo Lula. Muitos anos depois pouco ou nada foi feito para levar a cabo a medida. Primeiro porque muitas escolas desconhecem a lei que deveria ter sido divulgada e implementada por toda a rede de ensino, mas... Segundo porque os professores não têm preparo para abordar o tema já que eles próprios não tiveram acesso a um conteúdo aprofundado sobre a África nem nas escolas nem nas faculdades. Como ensinar o que não se conhece?
A educação brasileira absorveu profundamente as ideias de Gobineau, Le Bon, Vacher de Lapouge, Louis Couty e Nina Rodrigues que apresentaram diversos estudos defendendo a inferioridade dos negros alegando bases científicas. Assim, a África, durante séculos, foi ignorada nas escolas, como se não merecesse abordagem, como se fosse um nada. Sim, quando aprendemos História Antiga estudamos o Egito, mas de uma forma que parece que o Egito pertence a outro continente. E paramos por aí, só voltamos a ouvir falar dela novamente na época dos descobrimentos como ponto geográfico a ser ultrapassado e depois como provedora de força de trabalho.
Qualquer pessoa que se interesse em estudar a África encontra muita dificuldade porque não há muito material e grande parte dos registros escritos da história da África foi feita a partir do século XV, quando os europeus começaram a visitar o continente. Antes do século XV, quando ainda predominavam as línguas nativas, a África era dominada por uma longa tradição oral, o que dificultava que sua história fosse registrada por seus próprios habitantes, com exceção do Egito e dos reinos de Axum e Meroe que tinham sua própria escrita. O que conhecemos da África, inclusive o pouco que está contido em livros didáticos, nos foi passado através dos europeus que sempre a descreveram com olhares de colonizador.
Para entender o presente é preciso voltar ao passado. Tomar conhecimento da história africana é fundamental para análise e compreensão da trajetória humana, pois é neste pedaço do mundo que estão nossas raízes, mesmo que muitos não se agradem com isso.
A lei 10.639/03 pretende superar 500 anos de dívida histórica e cultural e promover a igualdade racial. Tomando conhecimento da história e cultura africanas para além do processo de escravidão e percebendo-a como berço civilizatório da humanidade, espera-se que crianças e jovens possam resgatar sua identidade e superar estereótipos preconceituosos que relacionam a África apenas com a miséria, a fome, a AIDS e a violência dos conflitos entre grupos étnicos.
Para tentar resolver o problema da falta de material de qualidade com o qual os professores possam aplicar o ensino de história da África nas escolas, a UNESCO, em parceria com o MEC, publicou em novembro de 2010, em português, a coleção História Geral da África que será utilizada como base para produção de material didático a ser utilizado nas salas de aula e para treinamento de professores. A coleção já foi publicada em árabe, inglês, francês e diversas outras línguas incluindo hausa, peul e swahili e é um dos projetos editoriais mais importantes da UNESCO que pretende com ele fornecer uma visão panorâmica do desenvolvimento dos povos africanos e sua interação com outras nações. O projeto é tão épico quanto a história que conta: a coleção foi produzida por mais de 350 especialistas em diversas áreas do conhecimento, dois terços deles são africanos, o que permite ter uma visão histórica “de dentro” nas 8.357 páginas.
Encontrar material sobre a África é realmente muito difícil, para quem se interessa por ela essa coleção é um tesouro.


Links para download da coleção:


sexta-feira, 11 de fevereiro de 2011

“... toda teoria é provisória, acidental, dependente de um estado de desenvolvimento da pesquisa que aceita seus limites, seu inacabado, sua parcialidade, formulando conceitos que clarificam os dados – organizando-os, explicitando suas relações, desenvolvendo implicações – mas que, em seguida, são revistos,  reformulados, substituídos ...”

Prefácio de Roberto Machado em Microfísica do Poder de Michel Foucault, 1979

quarta-feira, 9 de fevereiro de 2011

RELENDO COM UMA GRAVIDADE A MAIS NOS OLHOS, MAS AINDA COM UM PRAZER INFERNAL

"Muito se teria de dizer sobre esse contentamento e essa ausência de dor, sobre esses dias suportáveis e submissos, nos quais nem o sofrimento nem o prazer se manifestam, em que tudo apenas murmura e parece andar na ponta dos pés. Mas o pior de tudo é que é exatamente tal contentamento o que não posso suportar. Após um curto instante parece-me odioso e repugnante. Então, desesperado, tenho de escapar a outras regiões, se possível a caminho do prazer, se não, a caminho da dor. Quando não encontro nem um nem outro e respiro a morna mediocridade dos dias chamados bons, sinto-me tão dolorido e miserável em minha alma infantil, que atiro a enferrujada lira do agradecimento à cara satisfeita do sonolento deus, preferindo sentir em mim uma verdadeira dor infernal do que essa saudável temperatura de um quarto aquecido. Arde em mim então um selvagem anseio de sensações fortes, um ardor pela vida desregada, baixa, normal e estéril, bem como um desejo louco de destruir algo, seja um armazém ou uma catedral, ou a mim mesmo. De cometer atos temerários, de arrancar a cabeleira a alguns ídolos venerandos, de entregar a um casal de estudantes rebeldes os ansiados bilhetes de passagem para Hamburgo, de violar uma jovem ou de torcer o pescoço a algum defensor da ordem e da lei. Pois o que eu odiava mais profundamente e maldizia mais era aquela satisfação, aquela saúde, aquela comodidade, esse otimismo bem cuidado dos cidadãos, essa educação adiposa e saudável do medíocre, do normal, do acomodado."

Hermann Hesse - O Lobo da Estepe

quarta-feira, 2 de fevereiro de 2011

FOTO DO DIA


Foto do dia da National Geographic: imagem de um lagarto procurando o sol da manhã no Zion National Park em Utah, EUA. A foto é de Olaf Dziallas.

sexta-feira, 28 de janeiro de 2011

Estamos vivos. Sim, aqui estamos. E nem sabemos como chegamos. Quem de nós pode dizer qual vento nos carrega nessa empreita? Não, não sabemos. Mas aqui estamos com a serenidade de quem se sabe exatamente no ponto onde deve estar. Já não podemos medir quantos deixamos pelo caminho, quem abandonamos, quem separamos, quem omitimos, quem desviamos, quem se perdeu ou morreu por outras trilhas. Somos os poucos os que sobraram e continuamos a andar sem olhar para trás, às vezes não olhamos nem para frente, apenas para os lados, para cima, para baixo, para fora e para dentro, para o que, no momento, podemos alcançar. Renunciamos ao nosso uso pagando o devido preço por ter nós mesmos definido os nossos limites. Não há ninguém mais para nos coibir o passo. Apenas o tempo nos limita e exerce seu direito. No entanto, da mesma forma que nos fronteia, o tempo nos impede uma definição, afinal como tirar de nós uma derradeira imagem se todo dia nos desfazemos para assumir a cada novo amanhecer uma outra face diversa? E mesmo agora, neste momento, quem pode nos dizer com certeza se aquilo que se nos vê é apenas uma pequena porção daquilo que realmente somos? Quem além de nós mesmos conhece os alicerces que nos sustentam? Sendo assim, não nos damos em direito nem de corpo nem de mente, desenhamos nosso próprio contorno e escolhemos por onde expandir as linhas. Somos o que somos e apenas isso, nada mais, sem interessar o que porventura possamos parecer.
Essa é a nossa vingança contra o mundo.

quinta-feira, 27 de janeiro de 2011

LITERATURA PORTUGUESA

Procurando artigos sobre Trovadorismo encontrei um blog que achei o máximo: Aula de Literatura Portuguesa. O blog tem artigos muito bons falando sobre as diversas escolas literárias, os principais escritores de Portugal e suas obras. A autora do blog, Helena Maria, professora de língua portuguesa e literatura, também mantém um blog de poemas de autores de países lusófonos, o Poemas da Lusofonia. O diferencial de Aula de Literatura Portuguesa é que Helena Maria fala de literatura abarcando o contexto histórico em que as obras foram escritas. Para quem gosta de literatura (e história) portuguesa é diversão garantida.


No perfil de Helena Maria há um link para outro blog muito interessante: Ilustração Portuguesa, onde estão reproduzidas revistas portuguesas antigas de 1908 a 1978. Imperdível também.


sexta-feira, 21 de janeiro de 2011

JOHAN THÖRNQVIST

Johan Thörnqvist é um fotógrafo e ilustrador sueco que não se contenta em trabalhar com fotografia e ilustração separadamente. Johan gosta de misturar os dois colocando ótimos desenhos sobre suas já belas fotos. O resultado é uma coisa assim como de sonho, um mundo de fantasia que parece invadir a realidade.












segunda-feira, 3 de janeiro de 2011



Foto do mar das Bahamas tirada do espaço pelo astronauta William Stefanov, da NASA. Para tirar essa belíssima foto Stefanov usou uma Nikon D2Xs com uma lente de 800 mm.

ALEIJADINHO


Fica aberta até 30 de janeiro no Museu de Arte Sacra a exposição “Aleijadinho, Arte e Fé Brasileira – Ofício Divino”, onde estão expostas 51 peças do escultor, todas pertencentes ao acervo do empresário Renato Whitaker, dono da maior coleção particular do mestre barroco.
As peças têm atribuição de autoria assinada por conceituados estudiosos da obra do artista e, segundo o curador da mostra Marcelo Coimbra, pode-se reconhecer nelas as características das cinco fases de produção de Aleijadinho. Dez obras são inéditas e há um destaque para um São Francisco de Assis de apenas 6 cm talhado em madeira.

"Nem amigo, nem amante, nem sexo ou comuna hão-de abrigar-me o que nem já a escrita – meus fantasmas calados à ilharga do que vos não escrevo a ninguém, todas as histórias de invenção da palavra verá emudecidas e ainda bem. Não há nada mais para expor. É o tempo do não que nem mesmo qualquer mau humor conjunto ou obra boa pode descrescer. É o lugar do avesso e me descoso de tudo nele. É a colheita do joio, ver uma a uma cortadas e trilhadas em molhe as espigas do cereal que imitei, sem nunca ter amado a metáfora, sem provavelmente ter amado nunca o que quer que fosse senão a esquiva, o esquivado de tudo, a entrelinha, a firmemente sinuosa linha, a escorreita água de aço da verdadeira vida, a por debaixo, a que ainda não, que a outra põe ao rubro, sendo a absurda metáfora só o que tão real parece e é dito, todos vivendo com o bom anjo da convicção escarranchado à ombreira do ombro, à ilharga dos gestos, à beira da fala."

Novas Cartas Portuguesas, 1972


quinta-feira, 30 de dezembro de 2010

O COMEÇO DO ÂMBAR

Foto de Pedro Ramos, vencedora do primeiro lugar na categoria Geral do concurso Fotciencia 2010, criado pelo Conselho Superior de Pesquisas Científicas (CSIC) e pela Fundação Espanhola para Ciência e Tecnologia (FECYT) na Espanha.
A foto, intitulada “O Começo do Âmbar”, mostra um inseto preso numa gota de resina e faz registro do início de um processo que dura milhões de anos, a fossilização.
A proposta do concurso é usar a visão artística de imagens científicas para aproximar os cidadãos da ciência e da tecnologia.

A BELEZA DA EXPLOSÃO DE UMA GIGANTE VERMELHA

Imagem da NGC 6888 ou Nebulosa Crescente, uma nuvem de gás com 25 anos-luz de diâmetro iluminada e insuflada por sua massiva estrela central WR 136, uma Wolf-Rayet, que gera ventos estelares fortíssimos.
Apesar de ter apenas 4,5 milhões de anos, um milésimo da idade do Sol, a WR 136 já encontra-se nas fases finais de sua evolução estelar. Anteriormente foi uma gigante vermelha e há 250.000 anos expulsou suas camadas mais externas e a intensa radiação das camadas internas começou a empurrar o gás para fora a uma velocidade de 4 milhões de quilômetros por hora. Quando o material ejetado das camadas externas foi atingido pelos fortes ventos das camadas internas formou-se uma densa bolha iluminada, ionizada e aquecida pelo gás expelido pela gigante vermelha, fase anterior da WR 136.
A cada 10.000 anos a WR perde o equivalente à massa do nosso Sol e estima-se que daqui a 100.000 anos explodirá como uma supernova.
A NGC 6888 está localizada na constelação do Cisne a cerca de 4.700 anos-luz de distância da Terra.
Essa imagem, onde podemos ver as finas estruturas de gás, foi captada pela Wide Field Camera do telescópio Isaac Newton no observatório Roque de los Muchachos, nas Ilhas Canárias, Espanha, e processada pelos membros do IAC Alejandro Oscoz, Daniel López, Pablo Rodríguez-Gil e Luis Chinarro.

quarta-feira, 29 de dezembro de 2010

SNR 0509

Imagem captada pelo telescópio Hubble de uma bolha de gás na Grande Nuvem de Magalhães. A bolha está localizada a 160 mil anos-luz da Terra e foi formada após a explosão de uma supernova há 400 anos.
Os astrônomos chamaram-na de SNR 0509 e acreditam que as ondulações em sua superfície seja causada por variações na densidade do gás ou por fragmentos da explosão que a originou.
A bolha tem 23 anos-luz de diâmetro e está em expansão a uma velocidade de 18 milhões de quilômetros por hora.

O LIVING EARTH SIMULATOR QUER RECRIAR EM COMPUTADOR TUDO O QUE ACONTECE NA TERRA

Gareth Morgan (BBC) - Retirado daqui

Um grupo internacional de cientistas está tentando criar um simulador para recriar tudo o que acontece na Terra, desde os padrões do clima global à disseminação de doenças, passando por transações financeiras internacionais ou mesmo os congestionamentos nas ruas de uma cidade.

Acelerador de conhecimento

Batizado de Living Earth Simulator (LES, ou Simulador da Terra Viva), o projeto tem como objetivo ampliar o entendimento científico sobre o que acontece no planeta, encapsulando as ações humanas que moldam as sociedades e as forças ambientais que definem o mundo físico.
"Muitos problemas que temos hoje - incluindo as instabilidades sociais e econômicas, as guerras, a disseminação de doenças - estão relacionadas ao comportamento humano, mas há aparentemente uma séria falta de entendimento sobre como a sociedade e a economia funcionam", afirma Dirk Helbing, do Instituto Federal Suíço de Tecnologia, que dirige o projeto FuturICT, que pretende criar o simulador.
Graças a projetos como o Grande Colisor de Hádrons, o acelerador de partículas construído na Suíça pela Organização Européia para Pesquisa Nuclear (Cern, na sigla em francês), os cientistas sabem mais sobre o início do universo do que sobre nosso próprio planeta, diz Helbing.
Segundo ele, necessita-se de um acelerador de conhecimento, para fazer colidir diferentes ramos do conhecimento.
"A revelação das leis e dos processos ocultos sob as sociedades constitui o grande desafio mais urgente de nosso século", afirma.
O resultado disso seria o LES. Ele seria capaz de prever a disseminação de doenças infecciosas, como a gripe suína, descobrir métodos para combater as mudanças climáticas ou mesmo identificar pistas de crises financeiras incipientes.

O projeto SAEMC vai usar uma megarrede computacional para prever o clima das megacidades da América do Sul. [Imagem: OneGeology]

Hipercomputadores

Mas como funcionaria esse sistema colossal? Para começar, seria necessário inserir grandes quantidades de dados, cobrindo toda a gama de atividades no planeta, explica Helbing.
Ele também teria que ser movido pela montagem de supercomputadores que ainda estão para ser construídos, com a capacidade de fazer cálculos em uma escala monumental.
Apesar de os equipamentos para o LES ainda não terem sido construídos, muitos dos dados para alimentá-lo já estão sendo gerados, diz Helbing.
Por exemplo, o projeto Planetary Skin (Pele Planetária), da Nasa (agência espacial americana), verá a criação de uma vasta rede de sensores coletando dados climáticos do ar, da terra, do mar e do espaço.
Para completar, Helbing e sua equipe já começaram a identificar mais de 70 fontes de dados online que eles acreditam que possam ser usadas pelo sistema, incluindo Wikipedia, Google Maps e bases de dados governamentais.
A integração de milhões de fontes de dados - incluindo mercados financeiros, registros médicos e mídia social - geraria o poder do simulador.

Os simuladores quânticos talvez sejam uma alternativa para lidar com a infinidade de dados do projeto de simulação da Terra. [Imagem: Riken Research]

Web semântica

O próximo passo é criar uma base para transformar esse pântano de dados em modelos que recriem com precisão o que está ocorrendo na Terra.
Isso só será possível com a coordenação de cientistas sociais, especialistas em computação e engenheiros para estabelecer as regras que definirão como o LES vai operar.
Segundo Helbing, esse trabalho não pode ser deixado para pesquisadores de ciências sociais tradicionais, que tipicamente trabalham por anos para produzir um volume limitado de dados.
Também não é algo que poderia ter sido conseguido antes - a tecnologia necessária para fazer funcionar o LES somente estará disponível na próxima década, observa Helbing.
Por exemplo, o LES precisará ser capaz de assimilar vastos oceanos de dados e ao mesmo tempo entender o que significam esses dados.
Isso só será possível com a maturação da chamada tecnologia de web semântica, diz Helbing.
Hoje, uma base de dados sobre poluição do ar seria percebida por um computador da mesma maneira que uma base de dados sobre transações bancárias globais - essencialmente apenas uma grande quantidade de números.
Mas a tecnologia de web semântica será capaz de trazer um código de descrição dos dados junto com os próprios dados, permitindo aos computadores entendê-los dentro de seu contexto.
"Além disso, nossa abordagem sobre a coleta de dados deve enfatizar a necessidade de limpá-los de qualquer informação que se relacione diretamente a um indivíduo," explica Helbing.
Segundo ele, isso permitirá que o LES incorpore grandes quantidades de dados relacionados à atividade humana sem comprometer a privacidade das pessoas.

Recentemente pesquisadores da IBM conseguiram simular o cérebro de um gato, abrindo caminho para um computador cognitivo. [Imagem: IBM]

Além das nuvens

Uma vez que uma abordagem para lidar com dados sociais e econômicos em larga escala seja acertada, será necessário construir centros com supercomputadores necessários para processar os dados e produzir a simulação da Terra, diz Helbing.
A geração de capacidade de processamento para lidar com a quantidade de dados necessários para alimentar o LES representa um desafio significativo, mas está longe de ser um impedimento.
Para Peter Walden, fundador do projeto OpenHeatMap e especialista em análise de dados, se olharmos a capacidade de processamento de dados do Google, fica claro que isso não será um problema para o LES.
Apesar de o Google manter segredo sobre a quantidade de dados que é capaz de processar, acredita-se que em maio de 2010 o site usava cerca de 39 mil servidores para processar um exabyte (1.000.000.000.000.000.000 bytes) de dados por mês - quantidade de dados suficientes para encher 2 bilhões de CDs por mês.
Se aceitarmos que apenas uma fração das "várias centenas de exabytes de dados sendo produzidos no mundo a cada ano seriam úteis para uma simulação do mundo, o gargalo do sistema não deverá ser sua capacidade de processamento", diz Warden.

O simulador do sistema nervoso humano está disponível pela internet, como um software gratuito. [Imagem: Sensopac]

Encontrar utilidade nos dados

"O acesso aos dados será um desafio muito maior, além de descobrir como usá-los de forma útil", afirma.
Warden argumenta que simplesmente ter grandes quantidades de dados não é suficiente para criar uma simulação factível do planeta.
"A economia e a sociologia falharam consistentemente em produzir teorias com fortes poderes de previsão no último século, apesar da coleta de muitos dados. Eu sou cético de que grandes bases de dados farão uma grande mudança", diz.
"Não é que não sabemos o suficiente sobre muitos dos problemas que o mundo enfrenta, mas é que não tomamos nenhuma medida a partir das informações que temos", argumenta.
Independentemente dos desafios que o projeto enfrenta, o maior perigo não é tentar usar as ferramentas computacionais que temos hoje e que teremos no futuro para melhorar nosso entendimento das tendências socioeconômicas, diz Helbing.
"Nos últimos anos, tem ficado óbvio, por exemplo, que necessitamos de indicadores melhores que o Produto Interno Bruto (PIB) para julgar o desenvolvimento social e o bem-estar", argumenta.
No seu âmago, ele diz, o objetivo do LES é usar métodos melhores para medir o estado da sociedade, o que poderia então explicar as questões de saúde, educação e ambiente. "E por último, mas não menos importante, (as questões) de felicidade", acrescenta.


Achei interessantíssimo esse trecho:
"Helbing e sua equipe já começaram a identificar mais de 70 fontes de dados online que eles acreditam que possam ser usadas pelo sistema, incluindo Wikipedia, Google Maps e bases de dados governamentais."
Algo me diz que o LES não vai dar certo. Ou alguém acha que a Wikipédia é uma base de dados confiável? E os dados governamentais então?

terça-feira, 28 de dezembro de 2010

VITO CAMPANELLA

Não sou muito fã de pintores surrelistas. Não é um estilo que me agrada nas artes plásticas (só nas artes plásticas). Gosto de Miró. Ponto. E uma ou outra obra de Dali e Ernst. Uma ou outra mesmo. No geral pinturas surrealistas me parecem feias e desagradáveis. Existem pinturas que são feias e desagradáveis, mas que me emocionam. Surrealismo não me emociona, só me desagrada (Botero me produz o mesmo efeito).
Apesar dessa minha aversão ao surrealismo, existe um pintor que aprecio muito: Vitor Campanella. Gosto das cores, dos temas, da atmosfera que imprime a suas telas, os céus, as superfícies lisas e limpas, o trabalho de sombras e luzes, a freqüente presença de ruínas em seus cenários, as linhas bem definidas, firmes e seguras, as personagens que me parecem peças de xadrez (quase toda a sua obra remete a esse jogo).
As obras de Campanella me agradam de uma forma que nenhum outro surrealista consegue. O que talvez explique isso seja certo clima renascentista de seus trabalhos. Sim, porque eu gosto muito de arte moderna e contemporânea, mas se eu pensar bem nos meus artistas preferidos, duvido que eu vá encontrar algum que tenha nascido depois do século XVIII. E tenho uma queda especial pelos renascentistas e barrocos. O próprio Campanella admite esse “clima” renascentista em suas pinturas, pois nasceu na Itália e passou muito tempo vendo e estudando os grandes artistas italianos e seria impossível fugir dessa influência. Eu entendo.


Vito Campanella nasceu em 17 de outubro de 1932 em Monopoli, Bari, na Itália. Começou a pintar aos 14 anos de idade e ainda adolescente recebeu alguns prêmios em sua cidade. Estudou na Academia de Belas Artes de Brera em Milão e em outros grandes centros culturais e estúdios de importantes artistas da Europa.
Campanella transitou por diversos estilos pois desejava expandir ao máximo sua bagagem artística, mas foi no surrealismo que ele encontrou a maneira que melhor permitia expressar-se. Foi profundamente influenciado por Dali e De Chirico e estabeleceu estreitas relações com os dois. De Chirico apresentou-lhe a filosofia metafísica pela qual Campanella interessou-se imensamente e que permearia toda a sua obra.
Em 1955 Campanella muda-se para a Argentina, adquire cidadania e começa a pintar entusiasmadamente definindo melhor o seu estilo e mesmo estando em outro continente continua mantendo contato com os mais importantes centros e artistas europeus.
A partir de 1962 vai assumindo o caráter profissional de sua obra e passa a participar de diversos salões de arte, expõe nas mais importantes galerias e museus do mundo inteiro, ganha diversos prêmios internacionais e torna-se membro da International Arts Guild, do Centre de Liaison des Artistes Peintres de Francia e da Associação de Artistas Plásticos Franceses.
Em 1982 a República da Itália honra-lhe com a outorga de Ordem ao Mérito no grau de cavalheiro. Também foi inserido no prestigioso dicionário Art Leaders of the World sendo chamado Mestre.
Vito Campanella interessa-se sobretudo pelo mundo metafísico e em seus trabalhos busca transmitir a vivência do onírico, dialogar com as profundezas do subconsciente e transcender a realidade visível.
Campanella salva o movimento.

La Reina Lúdica

La Barca Onirica

Los Guerreros Sin Tiempo


Percepción del Ser

Moisés y las Tablas



La Ultima Mirada Filosofal

La Danza de Blanco



Fantasía y Fuga

El Valle del Porvenir

El Ensayo